O Terra
Sonora, formado em 1994 em Curitiba, faz um trabalho vocal e instrumental,
com base em um extenso levantamento de temas étnicos e tradicionais
de várias partes do mundo. Esse trabalho é o resultado
da pesquisa, transcrição e arranjo de temas feitos pelo
músico Plínio Silva e desenvolvido em conjunto com o grupo,
composto por professores da Escola de Música e Belas Artes do
Paraná, Faculdade de Artes do Paraná e Conservatório
de Música Popular Brasileira.
A riqueza do repertório (com mais de 300 temas) se revela em
vários aspectos, como na diversidade musical das regiões
e culturas abrangidas. Desse modo, podemos conhecer dos ‘lamentos’,
que narram os desencontros de um casal ou as difíceis condições
do cotidiano no campo, a músicas festivas e alegres, passando
por temas de trabalho, exaltação à família
e à natureza, entre outras celebrações sociais
e religiosas.
Além do repertório inusitado, com músicas das Américas,
África, Europa, Ásia e Oceania, a marca do Terra Sonora
está na recriação dos arranjos para o instrumental
do grupo segundo suas próprias influências e experiências.
Assim, seus músicos mostram que vários instrumentos podem
ser usados fora de suas tradições. Por exemplo, temos
o "steel drum" (tambor caribenho), presente em temas da
China
e Noruega. Em músicas da Hungria, Grécia e Irlanda, entre
outras, ressoa a sonoridade brasileira da viola caipira. Da mesma maneira,
se ouvem percussões árabes em diversos temas e contextos.
O
trabalho vocal é outro componente que deve ser mencionado, tanto
pela pesquisa fonética de diversas línguas, quanto pelas
diferentes técnicas vocais usadas em cada tradição.
O Terra Sonora também tem a preocupação de inserir
em seu trabalho elementos da cultura brasileira, muitas vezes esquecidos
ou tratados sem a devida importância. Isso fica claro não
apenas na utilização de percussão brasileira e
da já citada viola caipira, mas principalmente na inclusão
de gêneros musicais tradicionais.
Estão presentes no repertório do grupo, modas de viola,
como as composições de Rogério Gulin e Roberto
Corrêa; sambas de roda da Bahia e temas de tradição
nordestina; além de temas compostos por José Eduardo Gramani.
voltar